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AVALIAÇÕES · EDITORIAL 2026

Análise – Café Baobá Gourmet

Grãos irregulares, torra escura e uma xícara discreta de corpo: a segunda análise de café da nova fase do Guia, aplicando o Critério de Avaliação histórico ao Baobá Gourmet.

Publicado em 18 de setembro de 2026

Editoria: Avaliacoes

Por GuiaDoCafezinho · Publicado em 18 de setembro de 2026

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Dois pacotes de 500 g do Baobá Gourmet em grãos ao lado de uma xícara de vidro de parede dupla com café, e um terceiro pacote aberto com grãos torrados sobre uma mesa clara
Os pacotes de 500 g do Baobá Gourmet, a xícara e os grãos torrados, fotografados para esta análise.

A segunda análise de café da nova fase do GuiaDoCafezinho chegou em casa pelas mãos da minha esposa, que comprou o pacote em uma unidade da rede de mercados Oba perto de casa. Depois, fazendo uma pesquisa rápida, encontrei o mesmo café anunciado em vários marketplaces online — é, na prática, um café muito fácil de comprar, e isso pesa a favor dele desde o primeiro quesito do Critério de Avaliação que uso desde 2012.

O café desta vez é o Baobá Gourmet, em grãos, pacote de 500 g, da Fazenda Baobá.

A Baobá e o Gourmet

A Fazenda Baobá nasceu em 2005 em São Sebastião da Grama (SP), uma das regiões de altitude mais respeitadas do café brasileiro, com lavouras entre 900 e 1.400 metros e solo de origem vulcânica. Do total de 562 hectares da propriedade, cerca de 30% são dedicados ao cultivo do café — o restante é mantido como reserva. O nome da fazenda vem do baobá, a "árvore da vida" que abriga, protege e sustenta, e é também a síntese da filosofia que a marca declara em seus três pilares: qualidade, sustentabilidade e hospitalidade. Hoje a Baobá mantém cafeterias próprias no Brasil e em Portugal, incluindo uma casa de degustação em Lisboa.

Dentro do portfólio da marca — que inclui também as linhas Premium, Clássico, Intenso, Microlotes e Descafeinado —, o Gourmet é descrito pela própria Baobá como uma ponte entre o café tradicional e o café especial: qualidade acessível para o consumo do dia a dia, sem abrir mão de complexidade.

A embalagem

O pacote de 500 g traz bem impressas as informações que espero encontrar: marca, linha, torra, composição (100% arábica) e peso. O que falta são as abas laterais que ajudariam a fechar o pacote depois de aberto — o mesmo tipo de detalhe que já cobrei em outras análises daqui. É uma embalagem boa e funcional, mas essa ausência específica custa pontos: 4,0.

Grãos e torra

Os grãos vêm em tamanhos bem diferentes entre si. A maioria é íntegra e bem formada, mas há uma presença perceptível de grãos fragmentados no meio do lote — o tipo de irregularidade que se nota ao olhar de perto, como na foto abaixo. A torra é escura. Por essa mistura de regularidade mediana com fragmentação real, o quesito Grãos fica em 3,5.

Grãos torrados do Baobá Gourmet espalhados sobre uma superfície branca, de tamanhos irregulares e com alguns grãos fragmentados
Grãos de tamanhos diferentes, a maioria íntegros, com fragmentados no meio do lote — torra escura.

Aroma e extração

O aroma dos grãos ainda no pacote é suave — nada que saltasse ao abrir o saco. Depois de preparado, o aroma da bebida seguiu na mesma linha: suave também, sem a intensidade que às vezes se espera de uma torra escura. Aroma pré-extração e aroma pós-extração ficam, respectivamente, em 3,0 e 3,5.

Na xícara

A bebida tem pouco corpo. É uma xícara leve na textura, e esse é o quesito que mais desconta aqui: Corpo em 3,0.

Xícara de vidro de parede dupla com o café Baobá Gourmet em close, mostrando o creme da bebida, com os pacotes do café desfocados ao fundo
A bebida em close: creme presente, corpo leve na xícara de vidro.

Vale lembrar como o critério trata acidez, doçura e amargor: nota 5 significa equilíbrio entre os três, e nota menor sinaliza que um deles se sobressai sobre os outros — não é escala de intensidade. Nesta xícara, doçura e acidez apareceram lado a lado como as impressões mais fortes, enquanto o amargor ficou discreto, quase ausente. É essa predominância de doçura e acidez sobre o amargor que o critério capta: Amargor, o mais afastado do equilíbrio, fica em 3,0; Acidez e Doçura, quase equilibradas entre si mas ainda destacadas sobre o amargor, ficam em 4,5 cada.

Retrogosto

O retrogosto é agradável e deixa notas de castanhas — a lembrança mais nítida que ficou depois do gole. Fecha bem uma xícara que não impressiona pelo corpo, mas convence pelo final: Aftertaste em 4,5.

Critério de Avaliação

Critério de Avaliação do GuiaDoCafezinho, em uso desde 2012: dez quesitos, até 5,0 pontos cada.
QuesitoNotaObservação
Facilidade de compra5,0Encontrado no supermercado e em vários marketplaces online.
Embalagem4,0Completa em informações, mas sem as abas laterais de fechamento.
Grãos3,5Tamanhos irregulares, com grãos fragmentados no meio do lote.
Aroma pré extração3,0Aroma suave nos grãos ainda no pacote.
Aroma pós extração3,5Aroma da bebida também suave.
Corpo3,0Bebida com pouco corpo.
Acidez4,5Predomina ao lado da doçura, sem desequilíbrio desconfortável.
Doçura4,5Predomina ao lado da acidez.
Amargor3,0Baixo amargor — o quesito mais afastado do equilíbrio.
Aftertaste4,5Retrogosto agradável, com notas de castanhas.
Total38,5de 50 pontos possíveis
Total de Pontos no Ranking: 38,50

Pela escala histórica, 38,50 coloca o Baobá Gourmet logo abaixo do Avanti Caffé Plunger (40,00) e acima do Britt Espresso (37,00). É a segunda análise de café da nova fase de 2026 a entrar no Ranking, ao lado do Orfeu Varietais Bourbon Amarelo, publicado nesta mesma retomada do Critério.

O que percebemos na xícara e o que declara a Baobá

Consultei a ficha do produto — no site da própria marca (baobacafe.com.br) e na ficha técnica distribuída pela Fazenda Baobá às lojas que revendem o café — só depois de fechar as notas.

O que percebemos na xícara: torra escura, aroma suave antes e depois da extração, bebida com pouco corpo, predominância de doçura e acidez, baixo amargor, retrogosto agradável com notas de castanhas.

O que declara a Baobá: o pacote traz "Torra Moderadamente Escura" impressa, e a marca descreve o Gourmet como "notas marcantes de chocolate amargo" em harmonia com "acidez cítrica equilibrada" e "alta doçura natural", "sem amargor, suave e doce". Já a ficha técnica distribuída aos revendedores classifica a torra como "média" a "média para escura", atribui ao café um "corpo encorpado" e cita 79 pontos pela metodologia SCA.

Há convergência e há divergência. Bate a leitura de baixo amargor e a de doçura e acidez em destaque — a marca fala em equilíbrio "sem amargor", e foi exatamente essa a nossa impressão. Também bate a torra: entre "moderadamente escura" e "escura" a diferença é de grau, não de tipo. Mas em dois pontos a xícara discordou da ficha. O primeiro é o corpo: onde percebemos uma bebida leve, a ficha técnica declara "corpo encorpado" — um contraste direto, e justamente no quesito de nota mais baixa desta análise. O segundo é o sabor predominante: a Baobá declara notas de chocolate amargo, e o que ficou na nossa xícara, do meio ao retrogosto, foram notas de castanhas. Registro os dois lados sem tentar fazer um concordar com o outro — a xícara tem sempre a palavra final por aqui, mas a ficha do produtor também merece ser citada como é.

Conclusão

O Baobá Gourmet é um café fácil de comprar, com embalagem quase completa, grãos irregulares de torra escura e uma xícara discreta: pouco corpo e aromas suaves, mas com doçura e acidez presentes, amargor baixo e um retrogosto de castanhas que compensa o restante. Não é um café para quem busca intensidade em nenhuma das pontas — é um café equilibrado no que entrega, sem grandes picos.

Fecha em 38,50 pontos de 50, e entra no acervo como a segunda análise de café da nova fase do Guia — pelo mesmo critério de sempre.

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