Caffè D’Oro

Esta amostra de café foi-me enviada por Fábio Ruellas. Fábio é um especialista em café. Sua empresa, PCR, presta serviços de treinamento e aperfeiçoamento de todas as etapas envolvidas na produção do café. Isso lhe deixa em uma posição muito boa, pois está em constante contato com produtores de café, experimentando e classificando as safras produzidas.

O objetivo da marca Caffè D’Oro é incentivar as pessoas a buscarem um café de qualidade. A marca está sempre selecionando cafés superiores e incorporando-os ao seu blend. Infelizmente, esta marca não está tão disponível para compra. Atualmente, ela pode ser adquirida pelo site Caffè D’Oro e em alguns locais na região do Sul de Minas, principalmente na cidade de Areado.

Caffè D'Oro

Caffè D’Oro

Os grãos são muito bem formados, produzidos em Areado-MG, com torra média. Toda a produção é artesanal, os grãos são processados naturalmente, com variedades 100% Arábica. A peneira usada na separação é a 16, tipo 2/3.

A embalagem deixou um pouco a desejar pois, apesar de ter a presilha metálica que facilita a guarda e a válvula de respiro, não continha todas as informações desejadas. Entrei em contato com os responsáveis pela marca e fui informado que uma nova embalagem foi desenvolvida para corrigir esta falha.

Fiz a extração desta bebida tanto na máquina de espresso, como no coador de papel. Em ambos o resultado foi excelente! Usei para avaliação a extração na máquina de espresso, pois foi a forma que mais gostei da bebida.

Caffè D'Oro

Caffè D’Oro

O resultado foi uma bebida muito encorpada e incrivelmente balanceada, onde claramente percebe-se notas associadas ao chocolate, como cacau e baunilha. O corpo é o que mais se destacou, muito aveludado, envolve a boca e proporciona uma agradável experiência sensorial, deixando – ao final – um ótimo aftertaste.

Análise:

  • Facilidade de compra: 3,00
  • Embalagem: 3,50
  • Grãos: 4,50
  • Aroma pré extração: 5,00
  • Aroma pós extração: 5,00
  • Corpo: 5,00
  • Acidez: 5,00
  • Doçura: 5,00
  • Amargor: 5,00
  • Aftertaste: 5,00
Total de Pontos no Ranking: 46,00

Arte Café Especial

Este café é cultivado na fazenda São Gabriel, no município de Guaxupé, sul de Minas Gerais. A marca Arte Café tem certificação UTZ, o que significa – na prática – que a fazenda pensa no bem estar dos funcionários envolvidos na produção.

Arte Café - Especial

Arte Café Especial

A embalagem é de qualidade, possui instruções de preparo, tanto como espresso quanto como filtro. Senti falta apenas das abas que facilitam a guarda do café. Informações de contato, origem, forma de plantio e outros detalhes também estão impressos na embalagem.

Arte Café - Especial

Arte Café Especial

A comercialização é um ponto a se considerar. Não se encontra este café à venda muito facilmente. No site da marca, http://brasilartecafe.com.br/, existe uma lista de distribuidores espalhados pelo Brasil. O site traz muitas informações interessantes sobre a fazenda, a produção do café e os certificados de qualidade de seus produtos.

Arte Café - Especial

Arte Café Especial

A bebida é rica em aromas, encorpada e bem balanceada. Nota-se uma ligeira doçura e acidez. Os grãos são bem formados, achei apenas alguns com defeitos de formação. O ponto de torra é médio, o que lhe assegura a riqueza de aromas que mencionei.

 

Análise:

  • Facilidade de compra: 3,50
  • Embalagem: 4,50
  • Grãos: 4,00
  • Aroma pré extração: 4,50
  • Aroma pós extração: 4,50
  • Corpo: 4,50
  • Acidez: 4,50
  • Doçura: 4,50
  • Amargor: 5,00
  • Aftertaste: 4,50

Total de Pontos no Ranking: 44,00

Moedor Breville BCG450XL

Este moedor de café é uns dos mais completos moedores para uso doméstico que já tive a oportunidade de usar. Seu corpo é construído de plástico e aço inox – o que lhe assegura boa resistência ao tempo.

Possui grande variedade de regulagem da moagem, que vai de café turco, passando por coador ou filtro, espresso, prensa francesa, cafeteira italiana até uma moagem bem grossa.

Moedor Breville BCG450XL

Moedor Breville BCG450XL

Seu temporizador permite regular a quantidade de doses a se moer, de acordo com o tempo, de 5 a 30 segundos. A capacidade máxima de moagem é de 250g por vez, o que lhe garante uma boa autonomia para uso doméstico.

Seu moinho é composto por dois cilindros metálicos que podem ser desmontados para limpeza.

Sua desvantagem é de não ser encontrado para comercialização aqui no Brasil, mas pode ser comprado pela internet (em sites como Ebay e Amazon) por cerca de USD 102,00. Também não existe assistência técnica para ele em nosso país ainda.

 

Análise – Café de Altura (Bolívia)

“Cavalo dado não se olha os dentes”! Esse é o ditado, mas peço desculpas à minha amiga Karolina, que me deu este café. Não pude resistir à tentação de analisá-lo!

Este café boliviano é cultivado em grandes altitudes e, segundo o site do produtor, é cultivado na sombra e colhido somente os grãos maduros. Esta prática de colheita eleva em muito a qualidade do café – gostaria muito de vê-la sendo praticada aqui no Brasil com mais frequência.

Como este café já veio moído, não pude analisar os grãos e ponderei por muito tempo acerca de como fazer com a nota deste quesito. Uma análise mais profunda nos quesitos de equilíbrio me levaram a acreditar que os grãos só poderiam ser bons e regulares, por isso vou dar uma nota 4,00 – mesmo não tendo-os visto.

Usei o método de extração por coador de papel e fui muito feliz já na primeira extração.

Café de Altura - Coador

Café de Altura – Coador

Extremamente aromático, tanto antes como depois da extração, seu perfume foi cômodo a cômodo deixando sua marca aqui em casa.

Café de Altura

Café de Altura

O que mais me chamou à atenção na bebida foi o incrível equilíbrio entre amargor, doçura e acidez. Não pude perceber nenhum deles se sobressaindo, era como se estes quesitos não existissem e existissem ao mesmo tempo.

Café de Altura

Café de Altura

Resultado da análise:

  • Facilidade de compra: 1,00
  • Embalagem: 4,00
  • Qualidade do pó: 4,00
  • Aroma pré extração: 4,50
  • Aroma pós extração: 4,50
  • Corpo: 3,50
  • Acidez: 5,00
  • Doçura: 5,00
  • Amargor: 5,00
  • Aftertaste: 4,50
Total de pontos no Ranking: 41,00 pontos

Café Regina

Campinas deixou, há muito tempo, de ostentar o título de “a Princesa d’Oeste”. Quase não se percebe mais a beleza nas edificações centrais da cidade. Muitos passam pela avenida Barão de Jaguara sem imaginar o quão bonita ela era. E ali, na altura do número 1302, está uma das cafeterias mais tradicionais da cidade.

Café Regina - Fachada

Café Regina – Fachada

Rodeado de construções históricas, o Café Regina sempre foi um ponto badalado na cidade. Lembro de várias histórias que meu pai contava tendo como pano de fundo a cafeteria.

Café Regina

Café Regina

Conversando com Dona Antônia, que trabalhou como caixa da cafeteria nas décadas de 50 e 60, pude perceber um pouco deste passado perdido. Segundo ela, fregueses passavam na Kopenhagen, que era vizinha à cafeteria, para lhe comprar presentes de chocolates.

– A cafeteria está diferente, mas o café continua muito bom! – me disse Dona Antônia, enquanto tomava seu café de coador.

Dona Antônia

Dona Antônia

Na cafeteria, além do café espresso, é possível tomar o tradicionalíssimo café de coador, preferido de muitos ainda. Você ainda pode comprar e levar pra casa o blend de café servido no local, que é fornecido pelo Café São Joaquim, também tradicional de Campinas.

Café Regina - Coador

Café Regina – Coador

Se vai passar pelo centro de Campinas, sugiro prestar um pouco mais de atenção nos casarões e nos comércios de tradição. Aposto que vai descobrir que parte da beleza da cidade ainda não desapareceu.

 

Café Regina - Interior

Café Regina – Interior

 

Endereço:
Rua Barão de Jaguara, 1302
Centro
Campinas-SP
(19) 3231-4079

Café e Cappuccino com Doce de Leite

Selecionei para este final de semana mais dois drinks da categoria “super calóricos” – bebidas estas que caem muito bem nestes dias mais frios.

As receitas são simples e o ingrediente principal delas é o nosso conhecido doce de leite. Como, então, elas poderiam ficar ruins?

A primeira delas não requer a mínima prática e/ou habilidade: café com doce de leite:

Pegue uma xícara de café e lambuze-a por completo com o delicioso doce de leite (na quantidade que gostar). Faça um cafezinho da maneira que preferir – espresso, italiano, coador, bule, prensa francesa – e então coloque-o na xícara. Aproveite!

A segunda receita é o cappuccino com doce de leite. Para provar esta delícia basta lambuzar uma xícara maior – ou uma caneca – com doce de leite e seguir as dicas já postadas aqui e aqui sobre o modo de preparo do cappuccino. Beba sem moderação!

Para acompanhar, que tal pães de queijo assados na hora? Perfeito!

Café e Cappuccino com Doce de Leite

Café e Cappuccino com Doce de Leite

Cafeteiras e a extração do café

A forma como extraímos o café é muito importante e influencia em muito o resultado final da bebida. Quanto mais tempo o pó fica em contato com a água quente, mais é extraído do café, inclusive a cafeína. A moagem também é determinante na extração. Quanto mais fina for, mais se extrai do café e mais encorpado e robusto ele fica.

Existem várias formas de se extrair o café, as principais são:

  • Coador (filtro de papel ou pano)
  • Cafeteira Italiana ou Moka
  • Prensa Francesa
  • Ibrik
Cafeteiras

Cafeteiras

Coador (Filtro de papel ou pano)

Este talvez seja o método mais utilizado no Brasil. Acredito que em quase todas as casas exista um suporte para filtro de pano – pelo menos nas casas de nossos avós.

Esta forma de extração é muito simples e fácil de se obter. Atualmente, é muito mais fácil de se encontrar nos mercados o café com a moagem correta para este tipo de extração, que deve ser mais grossa que a do Ibrik e mais fina que as demais.

Evite deixar a agua muito quente, a temperatura deve estar entre 75 e 85 graus célsius. Lembre-se que a água “ferve” a 100 graus célsius (CNTP). Não vou falar muito deste tipo de extração pois ele é bem simples e não tem muitos segredos, basta atentar-se para algumas dicas importantes:

  • O filtro de papel ou pano deve se encaixar de forma adequada ao suporte ou porta filtros;
  • A disposição do pó dentro do filtro é muito importante, espalhe-o uniformemente.
  • Nunca reutilize o filtro de papel ou mesmo o pó;
  • Procure usar água mineral ou mesmo filtrada.

Cafeteira Italiana ou Moka

Inventada pelo italiano Alfonso Bialetti em 1933, é uma forma muito interessante de se extrair o café. Devemos utilizar o café com uma moagem mais grossa, uma dica é começar com algo um pouco mais grosso que a peneira interna e ir engrossando, conforme o resultado.

Antes de começar, verifique se a cafeteira está bem limpa, repare se os poros da peneira estão desobstruídos. Isso é muito importante para um bom resultado.

Coloque água na parte inferior da cafeteira (mineral ou filtrada), até o nível da válvula de segurança. Coloque o pó de café no funil e o posicione dentro da cafeteira. Lembre-se de distribuir o pó de forma uniforme e de não pressioná-lo.

Encaixe e rosqueie as partes, tomando o cuidado para que tudo esteja bem encaixado e vedado. Coloque na parte superior algumas gotas de água para evitar que o café se queime na hora em que ele sair.

Coloque a cafeteira no fogo e fique atento para a hora em que a água começa a “ferver”, pois esta é a hora correta de retirar a cafeteira.

O café extraído é saboroso, geralmente forte e encorpado, devido ao tempo de extração mais elevado que o espresso.

Cafeteira Italiana

Cafeteira Italiana

Prensa Francesa

Inventada por volta do século XIX, essa forma de extração é muito utilizada hoje em dia e assim como as demais, não tem muitos segredos.

A moagem é basicamente igual a da Cafeteira Italiana, devemos usar o pó um pouco mais grosso que a peneira interna e ir engrossando conforme sua preferência.

Antes de começar o preparo, pré aqueça o recipiente de vidro. A dosagem de café utilizada varia de gosto pra gosto, mas a recomendada é 1g de café para cada 10ml de água. Eu utilizo 1 colher de sopa de pó para cada xícara de água.

Coloque a dosagem de café no recipiente e depois despeje a água quente. Misture tudo e deixe repousando de 3 a 5 minutos. Coloque a tampa com o pistão e, passados o tempo de repouso, comece a baixá-lo lentamente, separando os grãos moídos do café extraído.

Das formas manuais de extração, a prensa francesa é a que eu mais gosto.

Prensa Francesa

Prensa Francesa

Ibrik

O Ibrik é usado para o preparo do café turco. Este café é bem forte e de todos é o que tem a maior concentração de cafeína, devido ao longo tempo de extração que o pó é submetido.

Para o preparo do café turco, você precisa de uma moagem ultra fina, bem semelhante a um “pó” de café mesmo.

Coloque a água no Ibrik e deixe ferver. Depois de fervida a água, coloque o pó (mantendo a proporção de 1g para 10ml) e misture tudo. Deixe ferver por mais 3 vezes, sempre retirando do fogo e esperando baixar a água após cada fervura.

Neste preparo, podemos adicionar ao pó de café algumas especiarias, como Anis Estrelado, Canela e Cardamomo, o meu preferido.

Ibrik

Ibrik

 

Fiquem à vontade para me convidar para seu próximo café!